23 de fev de 2009

a distância entre dois caminhos


Cena: Mulheres, A Distância Entre Dois Caminhos

Outono de 2007. Desembarcamos numa estação, depois de longa viagem, um pouco pesados pelo ar rarefeito. Criamos sensações e brilho nos olhos, mas ainda estamos aprendendo. A caminhar. “Bilhetes, por favor!” – dizia o condutor. Poderia ser o chapeleiro maluco que recebeu Alice numa outra estação. Poderia ser um estrangeiro pedindo informação numa outra língua. “You understand me?” Ontem ouvimos Beatles e tomamos chá. Houve um tempo em que os deuses eram humanos e viviam em Liverpool. Houve um tempo em que viajar de trem era necessidade, vontade, desejo. “Quel son désir, mon ange?” Parados na estação de trem, contamos um pouco da vida. Há tempos, são os jovens que adoecem. E há ferrugem nos sorrisos. Contrapondo a isso, contamos histórias. ”Cuenta una historia a mi”. Nós que lidamos com arte, somos estrangeiros no coração das pessoas. Que língua você fala? A palavra é urgente, o próximo trem está chegando, me espere que eu volto.

Wallace, setembro de 2007

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