20 de ago de 2010

Pressupostos (um pouco de conceito)

A. Investigar um teatro questionador, sugestivo, provocador, híbrido. Sem perder a candura e a poética.

B. Desconstruir o teatro burguês e remontá-lo parte por parte. A imagem vale mais do que muitas palavras. Antropologia da imagem.

C. Estabelecer conexões com a dança, música, audiovisual, literatura e tecnologia (multimeios).

D. Opor-se ao cômodo, ao caminho fácil, ampliar horizontes, mesclar artes distintas.

E. Juntar música e ruído, performance e narrativa, drama e nonsense, dança e expressionismo. O plástico e o hipotético.

F. "Descaretar" o teatro, resgatar o tesão e a vitalidade que só a arte pode despertar. Em quem faz e em quem assiste.

G. Porque o teatro não pode ser pop?

H. Romper com a passividade da platéia. Através do rito.

I. Encantar. Como só o (bom) cinema faz.

WP
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17 de ago de 2010

O labirinto de Jacques Tati



Hoje assisti com R.R., entre uma garrafa de vinho e outra, "Play Time", de Jacques Tatit.
Um filme complexo (pelo enredo fragmentado e com poucos diálogos e pela produção caprichadíssima) mas ao mesmo tempo delicioso, instigante, provocador. Um cinema ousado como há tempos já não vemos. Um cinema com formas sutis e bem-humoradas, que já era pensado por Tati em meados da década de 60. Nas suas quase duas horas de duração (confesso que nem vi o tempo passar) vi farto material de trabalho para compor com este projeto. E não é que acabei fazendo conexão com Becket (o mestre dos vazios, segundo Leminski) e Antonioni? A palavra, na obra de Tati é o que menos importa. O corpo fala. As imagens estão todas lá.
O elenco precisa assistir!


WP, quase quatro da manhã.

Para saber mais: http://www.tativille.com/






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11 de ago de 2010

E-mail para Ronaldo Robles (Cia Quase Cinema)

São José dos Campos, 10 de agosto de 2010.


Caro,


Gostaria que a minha pesquisa pudesse se agregar - de alguma forma - à pesquisa já desenvolvida pela Cia Quase Cinema.
Há um mês, dei prosseguimento a um trabalho que venho desenvolvendo pontualmente com T.L. e W.A. desde o ano passado. Retomamos o treinamento físico e a leitura de contos curtos, depois que T.L. retornou do curso de imersão com a Silvana Abreu.

Trata-se de um processo de pesquisa baseada em cinema e quadrinho (estética), expressionismo (partitura corporal), com base de pensamento na obra de Heidegger (O Ser e o Tempo) e dramaturgia da cena a partir de contos curtos da Sra. M.

É um espetáculo adulto.

A proposta é utilizar a linguagem estética do cinema (respaldada pelos princípios da antropologia da imagem, na qual você se especializou) para discutir a incomunicabilidade (Antonionni será um dos diretores estudados, com certeza) e o desejo.

Já temos o R.R. envolvido na criação da ambientação sonora e o W.P. (do IGAT) que topou pensar a parte de animação que será inserida no espetáculo. Pretendo convidar o F.M. (da Coágulo filmes) para gravar um documentário sobre o processo de criação e também para consultoria sobre os filmes que serão abordados nesta pesquisa.

A idéia do espetáculo é que ele seja ritualizado, próximo do expectador e sem nenhum controle externo (projeção de vídeo-documentário, luz e som sendo manipulados de dentro da cena, pelos próprios atores). E, como evolução da minha percepção teatral, a partir do convívio com você e a Silvia, esse projeto avança ainda mais na construção de imagens (por meio de partituras corporais rígidas e projeções de vídeo) do que numa dramaturgia baseada em texto.

Vamos nos falando.
 
 
Abraço, WP