23 de fev de 2009

O trabalho do ator na busca por sua identidade

PREÂMBULO
Estamos no terceiro milênio. Hoje somos obrigados a encarar questões que nossa própria evolução criou. Da realidade virtual ao cotidiano: o que é verdade, o que é real e o que é apenas fruto da imaginação? Este projeto busca uma reflexão sobre o papel do homem nesse cenário cada vez mais automatizado, virtual, eletrônico, através do estudo do gesto cotidiano, da palavra falada, do homem comum, com suas dúvidas, incertezas e sonhos. Parte de uma inquietação e ao mesmo tempo uma provocação: que motivos ou situações levam o homem, muitas vezes, a se sentir excluído de determinado ambiente? O que nos separa? A barreira da língua, a imposição de um pensamento dominante, a política, o trabalho, a concorrência, etc... Entendo este processo de trabalho como pedagógico: o trabalho resultante da pesquisa, na verdade é um meio e não um fim em si mesmo. Serve à formação de quem pratica e de quem assiste..

A PALAVRA
A linguagem é o nirvana da arte, ou seja, é a forma plena de expressão, pois utilizamos as suas formas e suas estruturas, bem como as sonoridades das palavras nos textos e, sendo assim, os signos lingüísticos nos proporcionam um grande léxico de significação na língua. Partindo desse mesmo viés é que tomamos a consciência de que tudo no mundo gira em volta da linguagem. O capitalismo, desenfreado, embutiu a informação de que a imagem é tudo, ou seja, a aparência, a superficialidade passam a ser mais importantes do que a forma plena da expressão humana – a linguagem. Podemos analisar a palavra – informação através do seu prefixo “in” (dentro de) e “forma” (dentro dos moldes, enquadrado a), e, portanto, o seu verdadeiro significado é estar dentro de uma forma. É justamente o que a mídia faz com a linguagem: poluindo-a com o excesso de informação, e homem vai sendo moldado, fragmentado, pelo sistema e fazendo com que perca sua espinha dorsal, isto é, a consciência da linguagem. A linguagem é o que se aproxima mais do que venha a ser o homem e de sua essência; portanto, é através dela que os nossos sonhos e pensamentos são estruturados. É bom lembrarmos que a imagem sem a linguagem não é nada, mas a linguagem sem a imagem é tudo.

OBJETIVOS DA OFICINA
Essa oficina pretende destacar a questão da montagem de um texto a partir de seu sentido verbal e literário para uma abordagem prática do tema proposto e também proporcionar aos alunos-atores um condensado das experiências vividas no processo criativo-coletivo. Vivenciando o trabalho em grupo, procuraremos o desenho de um corpo cênico mais preparado a partir dos sentidos, até o processo de adaptação de um texto literário para a cena teatral. Partindo de adaptação de contos de Marina Colasanti e da abordagem filosófica da linguagem, na leitura de Heidegger, investigaremos um modo de chegar à cena, que selecionará materiais a partir da proposta de ações dos participantes dentro do processo de improviso e proporcionando uma percepção ativa do processo de montagem.

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Esta era a idéia inicial, em abril... Porém, ventos sopraram, pedras rolaram, ondas bateram... Enfim...

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