7 de jul de 2009

SEXTO ENCONTRO

24 maio

Todos reunidos na ASSAOC – diretor e elenco. Foi o dia para mostrar e ver todas as cenas na medida do possível e do horário. No início, um aquecimento corporal. Logo após Wallace orientou todos para treinarem os movimentos relativos a cada cena, repetidamente, até este se tornar orgânico. Depois com um ritmo lento até o mais acelerado. O Wallace fez uma lista em ordem alfabética das cenas para serem apresentadas neste dia.

Antonio: participação de Thais, Diego e William. Cena que ele chamou de “liberdade radical”. Um homem no peitoral de um prédio, prestes a pular. Pessoas observando com desespero e em alerta. Ele decide pular. Mas quando pula está com um para quedas (ou seriam asas?). Sai voando e gritando, feliz.
Apontamentos: é necessário retrabalhar o texto e o conceito da cena. Está numa chave naturalista e para a proposta da cena, não cabe ser desta forma. Tanto Antonio, quanto os outros atores que interagem com ele, podem trocar as palavras por uma partitura corporal mais significativa. Por ex. o bombeiro, o policial, a dona de casa, etc.


Lucas: participação de Thais e Mateus, tocando violão. Um ‘ser’ masculino em trajes femininos vem com algo que lembra um véu de noiva e o restante do corpo nu. Essa figura é “desencantada” (é essa palavra mesmo?) por outro ‘ser’ feminino vestido de trajes masculinos; então se arruma, se veste com roupas que estão pelo chão. Ambos dançam e um “mata” o outro e se arrepende. (segundo visão da Thais).
Apontamentos: A música não condiz com a cena. Talvez isso seja objeto de pesquisa num terreiro de candomblé, uma vez que a figura idealizada por Lukas, também lembra um Orixá. Trabalhar os significados do início da cena, quando se dá a “entrada” dessa figura. O que significam a vela, o ramalhete e o véu de noiva. É necessário conceituar.
Trabalhar melhor os opostos: Thaís / masculino e Lukas / feminino. Tirar a cadeira, não é necessário. Treinar passos de tango para que a dança fique mais “cênica”. Há muito drama por parte do ator na cena em que está no chão apagando as velas. A vela – por si só – já carrega o signo de algo dramático. Não é necessário acentuar isso. Pelo contrário.


Mateus e Lee: Um drama cômico de encontros e desencontros entre duas pessoas que ‘aparentemente’ moram juntas, mas que não conseguem se entender.
Apontamentos: Não sei bem por que, mas a cena proposta me lembrou o filme “Jules e Jim”, de François Truffaut, (nouvelle vague). O que será que isso quer dizer? Uma sugestão para a execução da trilha (continua sendo Edith Piaf, ótima música por sinal) é tocá-la simultaneamente em vários celulares durante a cena. Como fazer isso? Aí é outra questão.


Diego: Participação de Antonio ao conduzi-lo até a cena. Vendado e amarrado fala sobre coisas do cotidiano. Foi utilizada a faixa 3 do primeiro disco da trilha de “Babel”
Apontamentos: Ficou um pouco melhor do que o apresentado na semana anterior. Ele pronunciou melhor as palavras, não se desamarrou nem tirou a venda, porém mostrou o desespero de estar naquela situação. Muito ainda precisa ser melhorado. Mateus sugeriu trabalhar técnicas de bufão para esta cena. O caminho é por aí.
Sugestão de Texto:
"Esses rostos, que gritam sem mover a boca,
já não são rostos de outros.
Esses rostos deixaram de ser convenientemente
distantes e etéreos, pretextos ingênuos
para a caridade de consciências pesadas."
Eduardo Galeano


Antonio e William: Mais uma vez a luta, os opostos. Detalhes foram mostrados. De maneira poética e simples.
Apontamentos: O desenho da luta melhorou, mas a partitura física ainda está confusa. Foi utilizada a mesma música da cena inicial da primeira montagem de “A Distância...” O que deixou a proposta da cena bem parecida com aquela de 2007 em que o Peterson fazia com o Mateus.


William e Diego: com participação do Mateus. Há uma costura de jornal e um morto ao chão. Will vai “costurando” esssa roupa de jornal enquanto cantarola uma musica cristã usada em velórios.
Apontamentos: A cena está poética. Mas deve-se encontrar a música certa e que - de preferência - não leve a cena “para baixo”. O ideal é que o elenco inteiro cante junto...


Thais: com participação de Mateus. Simbologia clara: de um lado a opressão social para ter uma vida conjugal; de outro a opressão por ser uma mulher do séc XXI, independente e que não faça 'amor' e sim sexo pelo simples prazer. A mulher que trabalha, vive sozinha e pensa só em ser feliz.... Mas no seu íntimo, quer mesmo é ser mãe. Porém, a idade chega... E seu útero seca pouco a pouco. Seu sorriso não é mais jovial. Seu corpo retrata o peso do tempo. Uma dor muito grande de perda. Fala sobre sua mãe e a idéia de não se apaixonar, mostra um filho que não existe. Dança uma valsa com um estranho. Sem figurino nem adereços.
Apontamentos: A música não condiz com a cena. É preciso encontrar a musicalidade certa que a poética da cena propõe. Inserir (novamente) a caixa de música que dá o aspecto lúdico ao trabalho. O estranho com quem ela dança deve deixar – ao final – só um tecido (símbolo/signo da lembrança) e esse tecido vira um bebê de colo. Simples.
Sugestão estética: Surrealista. Quadros sem rosto (aos moldes das obras surrealistas de René Magritte).


William: a cena foi proposta desta vez próxima ao banheiro, diminuindo a área cênica. Fez. Desta vez foram utilizadas duas latas com álcool para efeito. Distribuiu aos espectadores alimentos síntese do conceito que a cena defende.
Apontamentos: A cena está forte, consistente. Ainda é preciso melhorar a maneira de dizer o texto. Ou encontrar outro. Foi sugerida uma adaptação do texto EZTETYKA DA FOME 65, de Glauber Rocha.


Thais: como experiência de última hora proposta pela atriz, todos foram enfileirados com rosto neutro ao fundo da sala. Atrás de uma cadeira. Ela interage com cada um deles, buscando carinho, atenção, mas não encontra em ninguém. Até que ela se rende à frieza das relações cotidianas. Foi usada a faixa 4 do primeiro disco da trilha de “Babel.
Apontamentos: A cena é a síntese do que estamos propondo pelo espetáculo. Entrou aos 45 do segundo tempo e definiu com clareza o que esperamos do nosso trabalho, o que o elenco defende, enquanto trabalho teatral e pesquisa de grupo. Sugestões foram apresentadas, entre as quais, todos com cabelos coloridos, todos com máscara neutra e a Thaís deve construir uma partitura corporal para cada um dos seis indivíduos que se sentam à cadeira e com os quais ela interage.
Sugestão de texto: Segundo uma antiga enciclopédia chinesa, os animais se dividem em: “a) pertencentes ao imperador; b) embalsamados; c) amestrados; d) leitões; e) sereias; f) fabulosos; g) cachorros soltos; h) incluídos nesta classificação; i) que se agitam como loucos; j) inumeráveis; k) desenhados com pincel finíssimo de pelo de camelo; l) etcétera; m) que acabam de quebrar o jarro; n) que de longe parecem moscas” – Jorge Luís borges.



Ficaram algumas cenas ainda sendo elaboradas sem apresentação. No final foram comentadas as cenas apresentadas, sobre as melhorias e mudanças em algumas. Qual espaço usar e outros detalhes.

Ao final, como um “entendimento” das cenas que foram apresentadas, Wallace fez a pergunta ao grupo: “Sobre o que exatamente estamos falando?”

Entre as respostas: Individualidade / Incapacidade de sonhar / busca pela liberdade / busca por algo que ninguém sabe bem o que é / busca do outro / busca pela pessoa perfeita / solidão.

A reflexão que fica, por parte da direção, é a seguinte: depois do impacto inicial das cenas apresentadas hoje, quais cenas da primeira montagem (2007) ainda cabem nessa nova proposta? Isso o elenco terá de responder também.


Provavelmente, a partir de agora, teremos de ler esses livros:
- Work in progress na cena contemporanea
- Performance como Linguagem de Renato Cohen
- A arte da Performance

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