3 de jul. de 2011

Contos de Amor Rasgados - Marina Colasanti

A quem possa interessar

"Abriu a janela no exato em que a garrafa com a mensagem passava, levada pelo vento. (...) Então, com toda delicadeza, devolveu-a ao vento."

Cantata dividida

"Desde os tempos de namoro, amavam-se numa língua que só os dois conheciam. (...)Foi também em sua língua que se desentenderam e, depois de muitas brigas resolveram separar suas vidas. (...)"



A paixão da sua vida

"Amava a morte. Mas não era correspondido. (...)"



Conto em letras garrafais

"Todos os dias esvaziava uma garrafa, colocava dentro sua mensagem, e a entregava ao mar. (...)"



Uma vida ao lado

"Fina, a parede. E além dela, a vida do vizinho.
Irritante a principio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.(...)"



Para que ninguém a quisesse


"Porque os homens olhavam demais para sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar.(...)"



Sem novidades do Front


"Esperava que o marido voltasse da guerra. Durante os primeiros anos, quando certamente não chegaria, preparou compotas. Depois, a partir do momento em que o regresso se tornava uma possibilidade iminente, assou pães, e a cada semana uma torta de peras, (...)"


Trechos retirados do Livro "Contos de amor rasgados" de Marina Colasanti, 
contos estudados para o processo de trabalho, que inspiram e instigam. TL 

24 de jun. de 2011

Processo

Janelas entreabertas em frestas mal fechadas; portas trancafiadas para conter as baratas; paredes desenhadas por giz de cera transparente; camelo na sala de estar com pneus e armação; gato siamês silencioso na mesa de centro da sala; pinguim engomado para festa na geladeira amarela; pratos dourados expostos na velha prateleira de madeira. Interessa?

7 de jun. de 2011

“O teatro não deve ser chato. Não deve ser convencional. Tem que ser inesperado. O teatro nos leva à verdade através da surpresa, da excitação, dos jogos, da alegria... O que importa é a verdade do momento presente, a convicção absoluta que só pode surgir quando o intérprete e o público formam uma só unidade. E ela aparece quando as formas transitórias atingem seu objetivo e nos levam àquele momento único e irrepetível em que uma porta se abre e nossa visão se transforma.”


PETER BROOK

27 de mai. de 2011

Ensaio # 5 (Cena 47)

Travelling + Partituras (6)
Trilha: CD Estrangeiro [1'2]
          CD Milágrimas [2']
          CD Yanntiersen [3']

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CENA EU SEI MAS NÃO DEVIA (Cena 4 e 6)

Rotina. Contraritmo das cenas do Apto e da Rua
Trabalho 1 - Ações normais
Trabalho 2 - Ações confusas

Na cena 7 - Labirinto
Entre as partituras, Ações-eco do trabalho

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Observações TL

Pedras como leit motive
Por que alguém anda com pedras no bolso?
Sons das pedras no bolso.
As pedras vão caindo, aos poucos desde a cena 1...
Todas compõe o fechamento.

22 de mai. de 2011

Conversa necessaria

Aquecimento. Imagens desenhadas pelo corpo.
Stop. Um momento para respirar.
Sentados à mesa: Livros, Caderno e caneta.
Leituras, anotações, conclusões (quase).

Respiração empolgante. Projeto, planos, ações.
Momentos de reflexão.
Olhares, palavras e "Silêncios".
Uma conversa necessária ... para organizar as idéias.

TL

25 de abr. de 2011

planificando

        
        ensaio do dia 22/04

Música de Benjamim Taubkin. Aquecimento. Partitura corporal: caixa de ferramentas do ator. Várias fotografias de uma casa imaginária: corredor / sala / quarto / banheiro / área de serviço. Esquecemos da partitura da cozinha! (precisamos lembrar disto mais tarde). Diferente da cena 501, que se transformou em "Travelling", chamamos esta cena de "47" (se é que este nome vai permanecer). Tudo muda, tudo sempre mudará. Quatro passos, mais cinco, guarda-roupas, bifurcação, esquerda, direita. Varais e roupas. Do apto 206, conceitos estreitos foram tirados, ampliados, desenhados pelo corpo. Como uma planta baixa, a cena se planifica. E agora?


T.L. / W.P.

21 de abr. de 2011

CENA_47_primeiras_experiências



Primeiros novos ensaios. 14 e 15 de abril. Cena "47".

I
Risco no chão, palavras em frases coerentes, labirintos, mitologia, entradas sem saídas.
Idéias a caminho... partitura corporal, música, trajeto, teorias.
Muitas dúvidas e algumas (poucas) certezas.
II
Rascunho do desenho de um labirinto (nada) artístico. Molde de uma casa (não) habitada. Assim vão se desenvolvendo as idéias de mais uma cena no processo de investigação para o work in process "Nossa Vida Vale mais que um Filme em P&B", da Cia. Cubo.
Do rascunho sem arte ao desenho artístico, idéias brotam a cada risco do grafite na folha branca . Corpo humano? Labirinto?
É preciso descobrir a porta de saída.

T.L.

avançando > > >



Depois de uma "hibernação" necessária.
Após a apresentação da cena "Travelling" em novembro, pausa pública e movimento interno.
Leituras, Gerald Thomas, Antunes, Cia. dos Atores, Marina Abramovic.
Filmes essenciais, vídeos de Pina Bausch.
Idéias fervilhando... movimentos em busca de ajuste para seguir adiante.
É 2011, com muito trabalho pela frente.


T. L.

31 de dez. de 2010

O cinema é a metáfora de um sonho compartilhado

Nesses últimos 40 dias estive em função de formatar o projeto para concorrer em editais públicos. O resumo do projeto pode ser acessado no menu superior deste blog.
Nós, da Cia. Cubo, compartilhamos o sonho da realização desse trabalho com diversos profissionais entre os quais, Luis Alberto de Abreu, Janô, Silvana Abreu, Lúcio Agra, Luiz Fuganti, Cia Quase Cinema, Cia Capadócia, Coágulo FilmeS, Oswaldo Jr. e Claudio Mendel e Andréia Barros.
À eles, nossos melhores votos de um 2011 com trabalho, criatividade e sucesso.

Voltamos na segunda quinzena de janeiro.

FORÇA SEMPRE.


W.P.

18 de nov. de 2010

primeiro_ensaio_aberto - participação_estival_2010


25 Nov 21h

Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas

Finalmente, o primeiro ensaio aberto, com a cena TRAVELLING, já com iluminação, trilha sonora, ambientação cênica e projeção de vídeos.






WP

30 de out. de 2010

# reflexão_2

Sobre o ensaio produtivo de ontem (29 de outubro), a Sra. 501 escreveu esse texto-poético:


O corpo – a dança
Nascemos livres da gravidade
"viemos ao mundo de cabeça para baixo"
ela indagou perplexa
"porque, agora, justamente agora, este corpo não responde?"
Movimentos cotidianos, rotineiros, uma “quase-dança"
Um corpo endurecido pela gravidade,
dança sem ritmo, quebras e “quedas” de movimento.
Desenhos mentais perfeitos, leves e sincronizados
Sem concretização...
Não quero a gravidade tomando conta de meu corpo...
treinar...
treinar...
treinar.


TL
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TRAVELLING_proposta_de_roteiro_para_vídeo

Como resultado do ensaio que fizemos para gravação de material em vídeo neste último fim de semana, surgiram algumas idéias para a parte de projeção de víceo que a cena "travelling" terá:

Interna.
Quadro_1. Acordar: close na fechadura e porta se abrindo lentamente.
Quadro_2. Banho: detalhes de corpos de atrizes em cenas de banhos nos filmes: “Desprezo” com Brigite Bardot; “Os sonhadores”; “Psicose”; “Anticristo”; “Bjork”; “ Uma mulher casada”.
Quadro_3. Roupas: guarda-roupa filmado em looping (imagem indo e vindo continuamente).
Quadro_4. Café: xícara com café e açúcar caindo constantemente (como areia da ampulheta).
Quadro_5. Jornal: close nos dedos das mãos, segurando um jornal ou revista.
Quadro_6. Saída: Elevador panorâmico.

Externa.
Quadro_7. Fila do ônibus: plano fechado nos pés de pessoas andando nas ruas.
Quadro_8. Cigarro: stop motion com os cigarros ou cinzeiro (como carrossel) com cigarro queimando.
Quadro_9. Ônibus: imagens de dentro do ônibus (paisagem passando pela janela).

Interna.
Quadros 10 a 15: misturar as imagens dos quadros 1 a 6 (acima), de forma aleatória.

Externa.
Quadros 16 a 18: misturar as imagens dos quadros 7 a 9 (acima), de forma aleatória, alongando os tempos de projeção.

Interna.
Última sequência.
Projetar cenas, como se fossem slides:
Quadro_1. Cama desarrumada.
Quadro_2. Banheiro vazio.
Quadro_3. Closet vazio.
Quadro_4. Mesa com café posta e desarrumada.
Quadro_5. Jornal espalhado.
Quadro_6. Elevador vazio.

Os vídeos serão captados e editados pelo Fábio Monteiro, da Coágulo.

WP
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# reflexão_1

Semana passada, assistimos em grupo ao filme Play Time, de Jacques Tatit, que eu já havia assistido com o Roman há mês e meio atrás. Do filme e ensaio pós-exibição, surgiu reflexão do Sr. 104:

Du caralho!
Apesar de estar deslocado e o filme fortaleceu essa certeza, já começo a visualizar algo.

Filme:
Proposta, corpo, partitura. Gosto disso.
É o mergulho no gesto que traduz tanta coisa, e são coisas que a gente vive no dia a dia. Melhor: os movimentos que temos dia a dia, no modo como se usam os objetos, criando um "casamento" com a cena, como um bom estudante de exatas que sou, a interação entre atores e cenografia foi demais, o lance de usar vidro, em ter primeiro a comunicação com o espectador e depois mostrar que havia um vidro, o abre-e-fecha da porta que na verdade não existia, os reflexos "impressos" dos vidros, as imagens deixavam claro o lugar onde tudo acontecia.

Ensaio:
Fico frustrado por não conseguir "ligar os pontos", por não conseguir entender a lógica das coisas, e como contrapartida, de ver a "sombrinha" retratada, pronta em minha cabeça, com 4 varas de +- 15 SMD cada e uma bateria comum a funcionar tudo.
E todo mais, som luz, refração, escuro, claro, e uma cena ruim!
A melancolia da música que está sendo usada na cena "Plano Fechado" casa com a proposta da cena.
O corpo é algo a ser bem mais trabalhado e explorado.
Há mais coisas que não se é capaz de traduzir em uma folha e no rabisco do lápis!

WA
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12 de out. de 2010

Pressupostos (mais um pouco de conceito)

Leitmotive (o tema condutor, criando um vínculo narrativo entre as tramas)

Da wikipédia: (do alemão, motivo condutor ou motivo de ligação) é termo composto, expressão idiomática naquele originário vernáculo, para significar genericamente qualquer causa lógica conexiva entre dois ou mais entes quaisquer.
Na dramaturgia: figura de repetição, no decurso de uma obra dramática, de determinado tema, a envolver significação especial.
Nos primeiros 15 minutos, apresenta-se as personagens, as situações, estabelecem-se os signos.


Multiplot

Espécie de mosaico com diversos personagens cujas histórias tem relação umas com as outras, o que pode-se chamar também de multitrama. Uma trama longa passa a ser uma multitrama constituída por (sub) tramas elementares.
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22 de set. de 2010

REPLICA_proposta_de_trilha

Mano a mano
Tango 1923
Música: Carlos Gardel / José Razzano
Letra: Celedonio Flores

Rechiflado en mi tristeza, te evoco y veo que has sido
en mi pobre vida paria sólo una buena mujer.
Tu presencia de bacana puso calor en mi nido,
fuiste buena, consecuente, y yo sé que me has querido
como no quisiste a nadie, como no podrás querer.

Se dio el juego de remanye cuando vos,
pobre percanta, gambeteabas la pobreza en la casa de pensión.
Hoy sos toda una bacana, la vida te ríe y canta,
Ios morlacos del otario los jugás a la marchanta
como juega el gato maula con el mísero ratón.

Hoy tenés el mate lleno de infelices ilusiones,
te engrupieron los otarios, las amigas y el gavión;
la milonga, entre magnates, con sus locas tentaciones,
donde triunfan y claudican milongueras pretensiones,
se te ha entrado muy adentro en tu pobre corazón.

Nada debo agradecerte, mano a mano hemos quedado;
no me importa lo que has hecho, lo que hacés ni lo que harás...
Los favores recibidos creo habértelos pagado
y, si alguna deuda chica sin querer se me ha olvidado,
en la cuenta del otario que tenés se la cargás.

Mientras tanto, que tus triunfos, pobres triunfos pasajeros,
sean una larga fila de riquezas y placer;
que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos,
que te abrás de las paradas con cafishos milongueros
y que digan los muchachos: Es una buena mujer.
Y mañana, cuando seas descolado mueble viejo
y no tengas esperanzas en tu pobre corazón,
si precisás una ayuda, si te hace falta un consejo,
acordate de este amigo que ha de jugarse el pellejo
pa'ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión.


De mãos dadas
livre  tradução por Paulo Wovst
Blumenau/SC

Totalmente na fossa, percebo que você tem sido
na minha desprezível vida apenas uma boa mulher.
Sua presença sofisticada aqueceu meu ninho,
Foi boa, fiel
, e sei que você me amou
como nunca amaste ninguém e jamais amará.

Deu-se a mudança quando você,
Jovem humilde driblava a pobreza na pensão.
Agora você é toda bacana, a vida sorri e canta pra ti,
E o dinheiro do tonto que te sustenta, distribui entre rapazes

como o faz o gato malandro com o rato miserável.

Hoje tens a cabeça cheia de infelizes ilusões,
te enganaram os otários, as amigas e o galanteador;
Baila
entre magnatas, com suas loucas tentações,
onde se apodera de ti aspirações de luxo e riqueza
que penetraram profundamente em teu pobre coração.

Nada devo agradecer-te, de mãos dadas caímos;
Eu não ligo para o que você fez, o que você faz ou o que você fará...
Os favores recebidos creio haver-los pago
e, se minha pequena, sem querer alguma dívida eu tenha esquecido,
põe na conta do teu otário
.


Enquanto isso seus triunfos, pobres triunfos passageiros
são uma longa linha de riqueza e de prazer;

que o endinheirado que sede aos teus caprichos pode bancar,
acabarás
nas esquinas em busca de clientes com cafetões aproveitadores

e dirão os rapazes: É uma boa mulher.
E amanhã, quando você for móvil velho e rejeitado
e não tenha nenhuma esperança no seu pobre coração
Se você precisar de alguma ajuda, se precisar de aconselhamento,
lembre-se deste
amigo que arriscará a sua pele

para ajudar-te no que for possível
quando chegar a hora.
 
.
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Palavras do Sul

De: Wallace Puosso
Assunto: Ajuda
Para: Paulo Wovst
Data: Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010, 2:09

Mano Velho,
Como andam as coisas por aí?
Resolvi montar aquele velho projeto de 2007 (que até cheguei a mandar a você para análise naquela ocasião) e vou usar uma música do Carlos Gardel para uma cena de casal.
Você consegue traduzir a letra pra mim?
Desde já, agradeço!

Abração, Wallace Puosso



De: Paulo Wovst 
Assunto: TRADUÇÃO MANO A MANO
Para: Wallace Puosso
Data: Sábado, 18 de Setembro de 2010, 10:48

Meu velho e bom amigo, é com grande satisfação que te envio a tradução do tango mano a mano... um exercício, uma viagem à boemia portenha no início do século, a lendas sobre
Gardel e Caledonio, letrista do tango, poeta etílico, crivo meu... O tango registra-se oficialmente em 1923, mas o poema consta foi escrito em 1918...

Enfim foi um prazer indescritível fazê-lo.
Cabe dizer que a gramática do nosso português tira a força do espanhol, quem dirá do "portenho", portanto mergulhei na canção, com inúmeras audições, não só de Gardel, mas uma versão moderna de Andrés Calamaro...

O resultado está em anexo, a emoção que senti, não posso traduzir, mas fui fiel a mim no poema.

Grande abraço deste teu amigo de sempre,
Paulo. 
.
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21 de set. de 2010

TRAVELLING_primeiras_experiências

ENCONTRO #1





ENCONTRO #2




ENCONTRO #3





ENCONTRO #4






WP.

9 de set. de 2010

Verdades Incômodas (ou a distância é outro caminho a ser percorrido)




Qual a distância entre dois caminhos?

Hoje à noite corremos pela cidade espalhando boas novas
Pelos becos, vielas, ruas emergem vozes que não dizem nada
porque os olhos já não sentem nada
e o coração mal serve pra bombear o sangue
pelo corpo cansado (de guerra)

à distância
observamos o mundo com nossos ritos e mitos
preparando uma invasão-silencio
como furacão em plena primavera

Cultivar flores, afagos e carinhos
é disso que o mundo precisa
o mundo que existe dentro de nós
ao diminuir distâncias, encurtamos passos e opções

Como bem disse Mr. Ziemermman, as respostas foram "levadas pelo vento"
e nós, com as ações, dramas e atos cômicos
construímos barcos, içamos velas, encurtamos distâncias

O que nos separa entre um ponto e outro
é o que também nos une.

WP


PRÓLOGO (antes do poema)

É preciso entender como algumas idéias surgem. Quando se trata de pesquisa de grupo, o “estalo”, o fio condutor que desvela todo o novelo da criação, às vezes, se dá por vias intuitivas. Vamos tateando no escuro até que a primeira chama seja acesa. E outra e mais outra e assim continuamente.
No caso de nossa pesquisa atual, o estalo tem se repetido com regularidade. Trata-se do nosso primeiro trabalho, o espetáculo “A Distância entre 2 Caminhos” (2007), que está sempre presente em nossa busca enquanto grupo. Questões como o término repentino do trabalho, as pessoas que se foram e as que ficaram, pensamentos defendidos por uns, idéias confusas que acabaram não tomando forma. Em nossas conversas informais vira e mexe voltamos às mesmas questões.

WP , há um ano atrás
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3 de set. de 2010

Argumento para cena "Travelling", sobre texto Contagem Regressiva / Apto. 501




Palestras, livros, filmes... Uma imersão em São Francisco Xavier. Aos poucos, um desenho corporal se monta.

O processo criativo começou por idéias acumulada e cultivadas através de filmes e livros interessantes e peças teatrais contagiantes. Com o devido apoio de WP, foi-me encaminhado um curso de performance com a Silvana Abreu em SFX. Juntei minhas economias e embarquei nesse vôo sem volta. Desejo do corpo, sentimentos, movimentos. Descobri (e continuo descobrindo) coisas sobre a atriz-Sra. 501.

Após a imersão, o processo continuou. A palavra já não é fundamental, mas sim a comunicação através do corpo do ator. Com essas idéias rascunhadas, debatidas, acertadas entre eu - a atriz - e o diretor, foi escolhido um conto da Sra. M.(Contagem Regressiva / Apto. 501), com a dança e os movimentos do corpo, criei uma partitura corporal, sob as orientações de WP, em partes com 20 movimentos cada.

Ainda é necessário ensaio e aprimoramento. Porém, são gratificantes os momentos de acerto e impulsionadores são os momentos de equívoco. Ontem, dia 02 de setembro, houve um encontro com profissionais que participarão do processo de criação. Alguns apontamentos foram feitos com relação ao tempo da cena, aos movimentos e as características expressionistas da cena (a falta delas). Também foram passadas sugestões de filmes (Metrópolis, Europa, de Lars Von Trier e os filmes do ciclo expressionista alemão).

Acredito que esse trabalho ainda tenha muito a evoluir.

E para fechar o dia de ontem, assistimos ao espetáculo do Paulo José e da Ana Kutner: “Um navio no espaço ou Ana Cristina César”. Trabalho que está (bem) próximo de nossa pesquisa.

Sra. 501

2 de set. de 2010

Interlúdio ou Ana Cristina César (ou como tive certeza de algumas coisas)



Aí acontece de você assistir a um espetáculo esperando uma coisa e outra ocorre. Surpresa boa. No "Um Navio no Espaço" havia (ótima) poesia da poetisa A. C. César e no palco, Paulo José e a surpreendente Ana Kutner (filha dele com Dina Sfat).
Horas antes, à tardezinha, havia me reunido com T.L., F.M, e mais outros dois colegas no CAC Walmor Chagas e, após mostrar o rascunho da cena "Travelling", expus minhas pretenções de levar um "estúdio de cinema" (literalmente) para o palco. Com projeções de animação e documentário ficcional, contracena entre projeção e atores e sombras. E não é que tinha tudo isso no "Um Navio no Espaço"?
Quando estrearmos nosso work in progress, podem até dizer que copiei a direção do  Paulo José. Não vou copiar, com certeza, mas que tive várias boas idéias durante a apresentação, isso tive!
Estou com a alma lavada por saber - a cada dia - que estou no caminho certo. Ter dúvidas é seguir em frente. Sempre.
Ao final do espetáculo, uma conversa rápida com meu mestre Alexandre Mate. Tecnologia e atuação caminhando juntas, como outra forma de narrativa. Ele gostou do que viu. Eu também.
Às vezes acontece de você estar no lugar certo, na hora certa.

WP.

Fotografo por trás dos vidros
da minha janela
o mundo lá fora
vazio, distante
Quando revelo as fotos,
Vejo o meu reflexo em todas elas

Ana Cristina César