30 de out. de 2010

# reflexão_2

Sobre o ensaio produtivo de ontem (29 de outubro), a Sra. 501 escreveu esse texto-poético:


O corpo – a dança
Nascemos livres da gravidade
"viemos ao mundo de cabeça para baixo"
ela indagou perplexa
"porque, agora, justamente agora, este corpo não responde?"
Movimentos cotidianos, rotineiros, uma “quase-dança"
Um corpo endurecido pela gravidade,
dança sem ritmo, quebras e “quedas” de movimento.
Desenhos mentais perfeitos, leves e sincronizados
Sem concretização...
Não quero a gravidade tomando conta de meu corpo...
treinar...
treinar...
treinar.


TL
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TRAVELLING_proposta_de_roteiro_para_vídeo

Como resultado do ensaio que fizemos para gravação de material em vídeo neste último fim de semana, surgiram algumas idéias para a parte de projeção de víceo que a cena "travelling" terá:

Interna.
Quadro_1. Acordar: close na fechadura e porta se abrindo lentamente.
Quadro_2. Banho: detalhes de corpos de atrizes em cenas de banhos nos filmes: “Desprezo” com Brigite Bardot; “Os sonhadores”; “Psicose”; “Anticristo”; “Bjork”; “ Uma mulher casada”.
Quadro_3. Roupas: guarda-roupa filmado em looping (imagem indo e vindo continuamente).
Quadro_4. Café: xícara com café e açúcar caindo constantemente (como areia da ampulheta).
Quadro_5. Jornal: close nos dedos das mãos, segurando um jornal ou revista.
Quadro_6. Saída: Elevador panorâmico.

Externa.
Quadro_7. Fila do ônibus: plano fechado nos pés de pessoas andando nas ruas.
Quadro_8. Cigarro: stop motion com os cigarros ou cinzeiro (como carrossel) com cigarro queimando.
Quadro_9. Ônibus: imagens de dentro do ônibus (paisagem passando pela janela).

Interna.
Quadros 10 a 15: misturar as imagens dos quadros 1 a 6 (acima), de forma aleatória.

Externa.
Quadros 16 a 18: misturar as imagens dos quadros 7 a 9 (acima), de forma aleatória, alongando os tempos de projeção.

Interna.
Última sequência.
Projetar cenas, como se fossem slides:
Quadro_1. Cama desarrumada.
Quadro_2. Banheiro vazio.
Quadro_3. Closet vazio.
Quadro_4. Mesa com café posta e desarrumada.
Quadro_5. Jornal espalhado.
Quadro_6. Elevador vazio.

Os vídeos serão captados e editados pelo Fábio Monteiro, da Coágulo.

WP
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# reflexão_1

Semana passada, assistimos em grupo ao filme Play Time, de Jacques Tatit, que eu já havia assistido com o Roman há mês e meio atrás. Do filme e ensaio pós-exibição, surgiu reflexão do Sr. 104:

Du caralho!
Apesar de estar deslocado e o filme fortaleceu essa certeza, já começo a visualizar algo.

Filme:
Proposta, corpo, partitura. Gosto disso.
É o mergulho no gesto que traduz tanta coisa, e são coisas que a gente vive no dia a dia. Melhor: os movimentos que temos dia a dia, no modo como se usam os objetos, criando um "casamento" com a cena, como um bom estudante de exatas que sou, a interação entre atores e cenografia foi demais, o lance de usar vidro, em ter primeiro a comunicação com o espectador e depois mostrar que havia um vidro, o abre-e-fecha da porta que na verdade não existia, os reflexos "impressos" dos vidros, as imagens deixavam claro o lugar onde tudo acontecia.

Ensaio:
Fico frustrado por não conseguir "ligar os pontos", por não conseguir entender a lógica das coisas, e como contrapartida, de ver a "sombrinha" retratada, pronta em minha cabeça, com 4 varas de +- 15 SMD cada e uma bateria comum a funcionar tudo.
E todo mais, som luz, refração, escuro, claro, e uma cena ruim!
A melancolia da música que está sendo usada na cena "Plano Fechado" casa com a proposta da cena.
O corpo é algo a ser bem mais trabalhado e explorado.
Há mais coisas que não se é capaz de traduzir em uma folha e no rabisco do lápis!

WA
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12 de out. de 2010

Pressupostos (mais um pouco de conceito)

Leitmotive (o tema condutor, criando um vínculo narrativo entre as tramas)

Da wikipédia: (do alemão, motivo condutor ou motivo de ligação) é termo composto, expressão idiomática naquele originário vernáculo, para significar genericamente qualquer causa lógica conexiva entre dois ou mais entes quaisquer.
Na dramaturgia: figura de repetição, no decurso de uma obra dramática, de determinado tema, a envolver significação especial.
Nos primeiros 15 minutos, apresenta-se as personagens, as situações, estabelecem-se os signos.


Multiplot

Espécie de mosaico com diversos personagens cujas histórias tem relação umas com as outras, o que pode-se chamar também de multitrama. Uma trama longa passa a ser uma multitrama constituída por (sub) tramas elementares.
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22 de set. de 2010

REPLICA_proposta_de_trilha

Mano a mano
Tango 1923
Música: Carlos Gardel / José Razzano
Letra: Celedonio Flores

Rechiflado en mi tristeza, te evoco y veo que has sido
en mi pobre vida paria sólo una buena mujer.
Tu presencia de bacana puso calor en mi nido,
fuiste buena, consecuente, y yo sé que me has querido
como no quisiste a nadie, como no podrás querer.

Se dio el juego de remanye cuando vos,
pobre percanta, gambeteabas la pobreza en la casa de pensión.
Hoy sos toda una bacana, la vida te ríe y canta,
Ios morlacos del otario los jugás a la marchanta
como juega el gato maula con el mísero ratón.

Hoy tenés el mate lleno de infelices ilusiones,
te engrupieron los otarios, las amigas y el gavión;
la milonga, entre magnates, con sus locas tentaciones,
donde triunfan y claudican milongueras pretensiones,
se te ha entrado muy adentro en tu pobre corazón.

Nada debo agradecerte, mano a mano hemos quedado;
no me importa lo que has hecho, lo que hacés ni lo que harás...
Los favores recibidos creo habértelos pagado
y, si alguna deuda chica sin querer se me ha olvidado,
en la cuenta del otario que tenés se la cargás.

Mientras tanto, que tus triunfos, pobres triunfos pasajeros,
sean una larga fila de riquezas y placer;
que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos,
que te abrás de las paradas con cafishos milongueros
y que digan los muchachos: Es una buena mujer.
Y mañana, cuando seas descolado mueble viejo
y no tengas esperanzas en tu pobre corazón,
si precisás una ayuda, si te hace falta un consejo,
acordate de este amigo que ha de jugarse el pellejo
pa'ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión.


De mãos dadas
livre  tradução por Paulo Wovst
Blumenau/SC

Totalmente na fossa, percebo que você tem sido
na minha desprezível vida apenas uma boa mulher.
Sua presença sofisticada aqueceu meu ninho,
Foi boa, fiel
, e sei que você me amou
como nunca amaste ninguém e jamais amará.

Deu-se a mudança quando você,
Jovem humilde driblava a pobreza na pensão.
Agora você é toda bacana, a vida sorri e canta pra ti,
E o dinheiro do tonto que te sustenta, distribui entre rapazes

como o faz o gato malandro com o rato miserável.

Hoje tens a cabeça cheia de infelizes ilusões,
te enganaram os otários, as amigas e o galanteador;
Baila
entre magnatas, com suas loucas tentações,
onde se apodera de ti aspirações de luxo e riqueza
que penetraram profundamente em teu pobre coração.

Nada devo agradecer-te, de mãos dadas caímos;
Eu não ligo para o que você fez, o que você faz ou o que você fará...
Os favores recebidos creio haver-los pago
e, se minha pequena, sem querer alguma dívida eu tenha esquecido,
põe na conta do teu otário
.


Enquanto isso seus triunfos, pobres triunfos passageiros
são uma longa linha de riqueza e de prazer;

que o endinheirado que sede aos teus caprichos pode bancar,
acabarás
nas esquinas em busca de clientes com cafetões aproveitadores

e dirão os rapazes: É uma boa mulher.
E amanhã, quando você for móvil velho e rejeitado
e não tenha nenhuma esperança no seu pobre coração
Se você precisar de alguma ajuda, se precisar de aconselhamento,
lembre-se deste
amigo que arriscará a sua pele

para ajudar-te no que for possível
quando chegar a hora.
 
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Palavras do Sul

De: Wallace Puosso
Assunto: Ajuda
Para: Paulo Wovst
Data: Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010, 2:09

Mano Velho,
Como andam as coisas por aí?
Resolvi montar aquele velho projeto de 2007 (que até cheguei a mandar a você para análise naquela ocasião) e vou usar uma música do Carlos Gardel para uma cena de casal.
Você consegue traduzir a letra pra mim?
Desde já, agradeço!

Abração, Wallace Puosso



De: Paulo Wovst 
Assunto: TRADUÇÃO MANO A MANO
Para: Wallace Puosso
Data: Sábado, 18 de Setembro de 2010, 10:48

Meu velho e bom amigo, é com grande satisfação que te envio a tradução do tango mano a mano... um exercício, uma viagem à boemia portenha no início do século, a lendas sobre
Gardel e Caledonio, letrista do tango, poeta etílico, crivo meu... O tango registra-se oficialmente em 1923, mas o poema consta foi escrito em 1918...

Enfim foi um prazer indescritível fazê-lo.
Cabe dizer que a gramática do nosso português tira a força do espanhol, quem dirá do "portenho", portanto mergulhei na canção, com inúmeras audições, não só de Gardel, mas uma versão moderna de Andrés Calamaro...

O resultado está em anexo, a emoção que senti, não posso traduzir, mas fui fiel a mim no poema.

Grande abraço deste teu amigo de sempre,
Paulo. 
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21 de set. de 2010

TRAVELLING_primeiras_experiências

ENCONTRO #1





ENCONTRO #2




ENCONTRO #3





ENCONTRO #4






WP.

9 de set. de 2010

Verdades Incômodas (ou a distância é outro caminho a ser percorrido)




Qual a distância entre dois caminhos?

Hoje à noite corremos pela cidade espalhando boas novas
Pelos becos, vielas, ruas emergem vozes que não dizem nada
porque os olhos já não sentem nada
e o coração mal serve pra bombear o sangue
pelo corpo cansado (de guerra)

à distância
observamos o mundo com nossos ritos e mitos
preparando uma invasão-silencio
como furacão em plena primavera

Cultivar flores, afagos e carinhos
é disso que o mundo precisa
o mundo que existe dentro de nós
ao diminuir distâncias, encurtamos passos e opções

Como bem disse Mr. Ziemermman, as respostas foram "levadas pelo vento"
e nós, com as ações, dramas e atos cômicos
construímos barcos, içamos velas, encurtamos distâncias

O que nos separa entre um ponto e outro
é o que também nos une.

WP


PRÓLOGO (antes do poema)

É preciso entender como algumas idéias surgem. Quando se trata de pesquisa de grupo, o “estalo”, o fio condutor que desvela todo o novelo da criação, às vezes, se dá por vias intuitivas. Vamos tateando no escuro até que a primeira chama seja acesa. E outra e mais outra e assim continuamente.
No caso de nossa pesquisa atual, o estalo tem se repetido com regularidade. Trata-se do nosso primeiro trabalho, o espetáculo “A Distância entre 2 Caminhos” (2007), que está sempre presente em nossa busca enquanto grupo. Questões como o término repentino do trabalho, as pessoas que se foram e as que ficaram, pensamentos defendidos por uns, idéias confusas que acabaram não tomando forma. Em nossas conversas informais vira e mexe voltamos às mesmas questões.

WP , há um ano atrás
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3 de set. de 2010

Argumento para cena "Travelling", sobre texto Contagem Regressiva / Apto. 501




Palestras, livros, filmes... Uma imersão em São Francisco Xavier. Aos poucos, um desenho corporal se monta.

O processo criativo começou por idéias acumulada e cultivadas através de filmes e livros interessantes e peças teatrais contagiantes. Com o devido apoio de WP, foi-me encaminhado um curso de performance com a Silvana Abreu em SFX. Juntei minhas economias e embarquei nesse vôo sem volta. Desejo do corpo, sentimentos, movimentos. Descobri (e continuo descobrindo) coisas sobre a atriz-Sra. 501.

Após a imersão, o processo continuou. A palavra já não é fundamental, mas sim a comunicação através do corpo do ator. Com essas idéias rascunhadas, debatidas, acertadas entre eu - a atriz - e o diretor, foi escolhido um conto da Sra. M.(Contagem Regressiva / Apto. 501), com a dança e os movimentos do corpo, criei uma partitura corporal, sob as orientações de WP, em partes com 20 movimentos cada.

Ainda é necessário ensaio e aprimoramento. Porém, são gratificantes os momentos de acerto e impulsionadores são os momentos de equívoco. Ontem, dia 02 de setembro, houve um encontro com profissionais que participarão do processo de criação. Alguns apontamentos foram feitos com relação ao tempo da cena, aos movimentos e as características expressionistas da cena (a falta delas). Também foram passadas sugestões de filmes (Metrópolis, Europa, de Lars Von Trier e os filmes do ciclo expressionista alemão).

Acredito que esse trabalho ainda tenha muito a evoluir.

E para fechar o dia de ontem, assistimos ao espetáculo do Paulo José e da Ana Kutner: “Um navio no espaço ou Ana Cristina César”. Trabalho que está (bem) próximo de nossa pesquisa.

Sra. 501

2 de set. de 2010

Interlúdio ou Ana Cristina César (ou como tive certeza de algumas coisas)



Aí acontece de você assistir a um espetáculo esperando uma coisa e outra ocorre. Surpresa boa. No "Um Navio no Espaço" havia (ótima) poesia da poetisa A. C. César e no palco, Paulo José e a surpreendente Ana Kutner (filha dele com Dina Sfat).
Horas antes, à tardezinha, havia me reunido com T.L., F.M, e mais outros dois colegas no CAC Walmor Chagas e, após mostrar o rascunho da cena "Travelling", expus minhas pretenções de levar um "estúdio de cinema" (literalmente) para o palco. Com projeções de animação e documentário ficcional, contracena entre projeção e atores e sombras. E não é que tinha tudo isso no "Um Navio no Espaço"?
Quando estrearmos nosso work in progress, podem até dizer que copiei a direção do  Paulo José. Não vou copiar, com certeza, mas que tive várias boas idéias durante a apresentação, isso tive!
Estou com a alma lavada por saber - a cada dia - que estou no caminho certo. Ter dúvidas é seguir em frente. Sempre.
Ao final do espetáculo, uma conversa rápida com meu mestre Alexandre Mate. Tecnologia e atuação caminhando juntas, como outra forma de narrativa. Ele gostou do que viu. Eu também.
Às vezes acontece de você estar no lugar certo, na hora certa.

WP.

Fotografo por trás dos vidros
da minha janela
o mundo lá fora
vazio, distante
Quando revelo as fotos,
Vejo o meu reflexo em todas elas

Ana Cristina César

20 de ago. de 2010

Pressupostos (um pouco de conceito)

A. Investigar um teatro questionador, sugestivo, provocador, híbrido. Sem perder a candura e a poética.

B. Desconstruir o teatro burguês e remontá-lo parte por parte. A imagem vale mais do que muitas palavras. Antropologia da imagem.

C. Estabelecer conexões com a dança, música, audiovisual, literatura e tecnologia (multimeios).

D. Opor-se ao cômodo, ao caminho fácil, ampliar horizontes, mesclar artes distintas.

E. Juntar música e ruído, performance e narrativa, drama e nonsense, dança e expressionismo. O plástico e o hipotético.

F. "Descaretar" o teatro, resgatar o tesão e a vitalidade que só a arte pode despertar. Em quem faz e em quem assiste.

G. Porque o teatro não pode ser pop?

H. Romper com a passividade da platéia. Através do rito.

I. Encantar. Como só o (bom) cinema faz.

WP
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17 de ago. de 2010

O labirinto de Jacques Tati



Hoje assisti com R.R., entre uma garrafa de vinho e outra, "Play Time", de Jacques Tatit.
Um filme complexo (pelo enredo fragmentado e com poucos diálogos e pela produção caprichadíssima) mas ao mesmo tempo delicioso, instigante, provocador. Um cinema ousado como há tempos já não vemos. Um cinema com formas sutis e bem-humoradas, que já era pensado por Tati em meados da década de 60. Nas suas quase duas horas de duração (confesso que nem vi o tempo passar) vi farto material de trabalho para compor com este projeto. E não é que acabei fazendo conexão com Becket (o mestre dos vazios, segundo Leminski) e Antonioni? A palavra, na obra de Tati é o que menos importa. O corpo fala. As imagens estão todas lá.
O elenco precisa assistir!


WP, quase quatro da manhã.

Para saber mais: http://www.tativille.com/






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11 de ago. de 2010

E-mail para Ronaldo Robles (Cia Quase Cinema)

São José dos Campos, 10 de agosto de 2010.


Caro,


Gostaria que a minha pesquisa pudesse se agregar - de alguma forma - à pesquisa já desenvolvida pela Cia Quase Cinema.
Há um mês, dei prosseguimento a um trabalho que venho desenvolvendo pontualmente com T.L. e W.A. desde o ano passado. Retomamos o treinamento físico e a leitura de contos curtos, depois que T.L. retornou do curso de imersão com a Silvana Abreu.

Trata-se de um processo de pesquisa baseada em cinema e quadrinho (estética), expressionismo (partitura corporal), com base de pensamento na obra de Heidegger (O Ser e o Tempo) e dramaturgia da cena a partir de contos curtos da Sra. M.

É um espetáculo adulto.

A proposta é utilizar a linguagem estética do cinema (respaldada pelos princípios da antropologia da imagem, na qual você se especializou) para discutir a incomunicabilidade (Antonionni será um dos diretores estudados, com certeza) e o desejo.

Já temos o R.R. envolvido na criação da ambientação sonora e o W.P. (do IGAT) que topou pensar a parte de animação que será inserida no espetáculo. Pretendo convidar o F.M. (da Coágulo filmes) para gravar um documentário sobre o processo de criação e também para consultoria sobre os filmes que serão abordados nesta pesquisa.

A idéia do espetáculo é que ele seja ritualizado, próximo do expectador e sem nenhum controle externo (projeção de vídeo-documentário, luz e som sendo manipulados de dentro da cena, pelos próprios atores). E, como evolução da minha percepção teatral, a partir do convívio com você e a Silvia, esse projeto avança ainda mais na construção de imagens (por meio de partituras corporais rígidas e projeções de vídeo) do que numa dramaturgia baseada em texto.

Vamos nos falando.
 
 
Abraço, WP

11 de jul. de 2009

Agenda

Voces estão esperando o quê?
O amor bate à porta de Tropo lá em Paraibuna...
No III – MEIA-PARIS
Será as 18hs na Fundação Cultural de Paraibuna
Venham...
Serão todos bem-vindos!

Cia Teatral Cubo Magico!

7 de jul. de 2009

“O AMOR BATE À PORTA DE TROPO” EM IGARATÁ

31 de maio de 2009


Após negociação com a prefeitura da cidade de Igaratá, a Cia. embarcou com malas e cenário para lá no dia 30 de maio para divulgação e apresentação no dia posterior. O espaço foi o Clube Social. Um espaço razoavelmente grande, com iluminação para festas e bailes. Mas nos adaptamos ao local. A apresentação teve, como público, umas 50 pessoas. E fomos muito bem recebidos pelos habitantes desta cidade. Muito obrigada Igaratá, até a próxima!

CICLO DE ESTUDOS PARA A MONTAGEM DE “A DISTÂNCIA ENTRE 2 CAMINHOS”


julho
03 - RICARDO III - filme e debate casa do Diego após as 22h;04 - FRIDA - filme e debate na casa da Lisandra, às 16hs;
04 – MILAGRE, MILAGRIM, MILAGRIZINHOZINHOZINHO, às 19hs em SFXavier (Circo São Xixo);
05 - Ensaio e preparação de cenas, às 18h30 na ASSAOC;
06 - POLLOCK - filme e debate na casa da Thais, às 20h;
07 - SOB O CÉU DO LÍBANO - filme e debate na casa da Thais, às 20h;
10 – PARADISE NOW - filme casa do Diego após as 20h
12 - Seminários sobre o texto “O Narrador”, “ Brecht e Teatro Épico” e “A Arte do Ator”, às 18h30 na ASSAOC;
16 – ARTAUD – O TEATRO E SEU DUPLO debate sobre o livro às 22h;
17 - CODIGO DESCONHECIDO – filme e debate na casa Diego apos as 22h30;
18 - CHAPLIN – filme e debate na casa do William às 16h;
19 – “A PREPARAÇÃO DO ATOR”, de C. Stanislavski - seminário sobre o livro às 18h30 na ASSAOC;

agosto
02 - “A Performance como Linguagem”, de Renato Cohen - seminário sobre o livro às 18h30 na ASSAOC;



BIBLIOGRAFIA E FILMES UTILIZADOS
A PREPARAÇÃO DO ATOR
Autor: Constantin S. Stanislavski
Editora: Civilização Brasileira15ª ed. – 1999


BENJAMIN, Walter. O NARRADOR : CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA DE NIKOLAI LESKOV. Trad. de S. P. Rouanet. São Paulo : Brasiliense, 1994.

COHEN, Renato. A PERFORMANCE COMO LINGUAGEM : CRIAÇÃO DE UM TEMPO-ESPAÇO DE EXPERIMENTAÇÃO.
São Paulo : Perspectiva, 2002.


O TEATRO E SEU DUPLO
Autor: Antonin Artaud
Editora: Martins Fontes
3ª ed. – 2006


A ARTE DO ATOR – SEIS LIÇÕES DE UM MESTRE”, de Richard Boleslavsk


DOGVILLE – Lars Von Trier
Ficha Técnica
Título Original: Dogville
Gênero: Drama
Tempo: 177 minutos
Ano: 2003
País de Origem: França
Site Oficial:
www.dogville.dk

SOB O CÉU DO LÍBANO - Randa Chahal Sabbag
Ficha Técnica
Título Original: Le Cerf-volant
Gênero: Drama
Duração: 80 minutos
Ano: 2003
País de Origem: Líbano / França
Site Oficial:
http://pyramidefilms.fr/cerf-volant

PARADISE NOW – Hany Abu-Assad
Ficha Técnica
Título Original: Paradise Now
Gênero: Drama
Duração: 90 minutos
Ano: 2005
País de Origem: França / Alemanha / Israel / Holanda


RICARDO III – UM ENSAIO – Al Pacino
Ficha Técnica
Título Original: Looking for Richard
Gênero: Drama
Duração: 113 minutos
Ano: 1996
País de Origem: EUA


CÓDIGO DESCONHECIDO - Michael Haneke
Ficha Técnica
Título Original: Code Inconnu
Gênero: Drama
Tempo: 118 minutos
Ano: 2000
País de Origem: França / Alemanha / Romênia


FRIDA (2002)
Título Original: Frida
Gênero: Drama
Direção: Julie Taymor


POLLOCK (2000)
Título Original:
Pollock
Gênero: Drama
Direção: Ed Harris


CHAPLIN (1992)
Título Original:
Chaplin
Gênero: Drama
Direção: Richard Attenborough

SEXTO ENCONTRO

24 maio

Todos reunidos na ASSAOC – diretor e elenco. Foi o dia para mostrar e ver todas as cenas na medida do possível e do horário. No início, um aquecimento corporal. Logo após Wallace orientou todos para treinarem os movimentos relativos a cada cena, repetidamente, até este se tornar orgânico. Depois com um ritmo lento até o mais acelerado. O Wallace fez uma lista em ordem alfabética das cenas para serem apresentadas neste dia.

Antonio: participação de Thais, Diego e William. Cena que ele chamou de “liberdade radical”. Um homem no peitoral de um prédio, prestes a pular. Pessoas observando com desespero e em alerta. Ele decide pular. Mas quando pula está com um para quedas (ou seriam asas?). Sai voando e gritando, feliz.
Apontamentos: é necessário retrabalhar o texto e o conceito da cena. Está numa chave naturalista e para a proposta da cena, não cabe ser desta forma. Tanto Antonio, quanto os outros atores que interagem com ele, podem trocar as palavras por uma partitura corporal mais significativa. Por ex. o bombeiro, o policial, a dona de casa, etc.


Lucas: participação de Thais e Mateus, tocando violão. Um ‘ser’ masculino em trajes femininos vem com algo que lembra um véu de noiva e o restante do corpo nu. Essa figura é “desencantada” (é essa palavra mesmo?) por outro ‘ser’ feminino vestido de trajes masculinos; então se arruma, se veste com roupas que estão pelo chão. Ambos dançam e um “mata” o outro e se arrepende. (segundo visão da Thais).
Apontamentos: A música não condiz com a cena. Talvez isso seja objeto de pesquisa num terreiro de candomblé, uma vez que a figura idealizada por Lukas, também lembra um Orixá. Trabalhar os significados do início da cena, quando se dá a “entrada” dessa figura. O que significam a vela, o ramalhete e o véu de noiva. É necessário conceituar.
Trabalhar melhor os opostos: Thaís / masculino e Lukas / feminino. Tirar a cadeira, não é necessário. Treinar passos de tango para que a dança fique mais “cênica”. Há muito drama por parte do ator na cena em que está no chão apagando as velas. A vela – por si só – já carrega o signo de algo dramático. Não é necessário acentuar isso. Pelo contrário.


Mateus e Lee: Um drama cômico de encontros e desencontros entre duas pessoas que ‘aparentemente’ moram juntas, mas que não conseguem se entender.
Apontamentos: Não sei bem por que, mas a cena proposta me lembrou o filme “Jules e Jim”, de François Truffaut, (nouvelle vague). O que será que isso quer dizer? Uma sugestão para a execução da trilha (continua sendo Edith Piaf, ótima música por sinal) é tocá-la simultaneamente em vários celulares durante a cena. Como fazer isso? Aí é outra questão.


Diego: Participação de Antonio ao conduzi-lo até a cena. Vendado e amarrado fala sobre coisas do cotidiano. Foi utilizada a faixa 3 do primeiro disco da trilha de “Babel”
Apontamentos: Ficou um pouco melhor do que o apresentado na semana anterior. Ele pronunciou melhor as palavras, não se desamarrou nem tirou a venda, porém mostrou o desespero de estar naquela situação. Muito ainda precisa ser melhorado. Mateus sugeriu trabalhar técnicas de bufão para esta cena. O caminho é por aí.
Sugestão de Texto:
"Esses rostos, que gritam sem mover a boca,
já não são rostos de outros.
Esses rostos deixaram de ser convenientemente
distantes e etéreos, pretextos ingênuos
para a caridade de consciências pesadas."
Eduardo Galeano


Antonio e William: Mais uma vez a luta, os opostos. Detalhes foram mostrados. De maneira poética e simples.
Apontamentos: O desenho da luta melhorou, mas a partitura física ainda está confusa. Foi utilizada a mesma música da cena inicial da primeira montagem de “A Distância...” O que deixou a proposta da cena bem parecida com aquela de 2007 em que o Peterson fazia com o Mateus.


William e Diego: com participação do Mateus. Há uma costura de jornal e um morto ao chão. Will vai “costurando” esssa roupa de jornal enquanto cantarola uma musica cristã usada em velórios.
Apontamentos: A cena está poética. Mas deve-se encontrar a música certa e que - de preferência - não leve a cena “para baixo”. O ideal é que o elenco inteiro cante junto...


Thais: com participação de Mateus. Simbologia clara: de um lado a opressão social para ter uma vida conjugal; de outro a opressão por ser uma mulher do séc XXI, independente e que não faça 'amor' e sim sexo pelo simples prazer. A mulher que trabalha, vive sozinha e pensa só em ser feliz.... Mas no seu íntimo, quer mesmo é ser mãe. Porém, a idade chega... E seu útero seca pouco a pouco. Seu sorriso não é mais jovial. Seu corpo retrata o peso do tempo. Uma dor muito grande de perda. Fala sobre sua mãe e a idéia de não se apaixonar, mostra um filho que não existe. Dança uma valsa com um estranho. Sem figurino nem adereços.
Apontamentos: A música não condiz com a cena. É preciso encontrar a musicalidade certa que a poética da cena propõe. Inserir (novamente) a caixa de música que dá o aspecto lúdico ao trabalho. O estranho com quem ela dança deve deixar – ao final – só um tecido (símbolo/signo da lembrança) e esse tecido vira um bebê de colo. Simples.
Sugestão estética: Surrealista. Quadros sem rosto (aos moldes das obras surrealistas de René Magritte).


William: a cena foi proposta desta vez próxima ao banheiro, diminuindo a área cênica. Fez. Desta vez foram utilizadas duas latas com álcool para efeito. Distribuiu aos espectadores alimentos síntese do conceito que a cena defende.
Apontamentos: A cena está forte, consistente. Ainda é preciso melhorar a maneira de dizer o texto. Ou encontrar outro. Foi sugerida uma adaptação do texto EZTETYKA DA FOME 65, de Glauber Rocha.


Thais: como experiência de última hora proposta pela atriz, todos foram enfileirados com rosto neutro ao fundo da sala. Atrás de uma cadeira. Ela interage com cada um deles, buscando carinho, atenção, mas não encontra em ninguém. Até que ela se rende à frieza das relações cotidianas. Foi usada a faixa 4 do primeiro disco da trilha de “Babel.
Apontamentos: A cena é a síntese do que estamos propondo pelo espetáculo. Entrou aos 45 do segundo tempo e definiu com clareza o que esperamos do nosso trabalho, o que o elenco defende, enquanto trabalho teatral e pesquisa de grupo. Sugestões foram apresentadas, entre as quais, todos com cabelos coloridos, todos com máscara neutra e a Thaís deve construir uma partitura corporal para cada um dos seis indivíduos que se sentam à cadeira e com os quais ela interage.
Sugestão de texto: Segundo uma antiga enciclopédia chinesa, os animais se dividem em: “a) pertencentes ao imperador; b) embalsamados; c) amestrados; d) leitões; e) sereias; f) fabulosos; g) cachorros soltos; h) incluídos nesta classificação; i) que se agitam como loucos; j) inumeráveis; k) desenhados com pincel finíssimo de pelo de camelo; l) etcétera; m) que acabam de quebrar o jarro; n) que de longe parecem moscas” – Jorge Luís borges.



Ficaram algumas cenas ainda sendo elaboradas sem apresentação. No final foram comentadas as cenas apresentadas, sobre as melhorias e mudanças em algumas. Qual espaço usar e outros detalhes.

Ao final, como um “entendimento” das cenas que foram apresentadas, Wallace fez a pergunta ao grupo: “Sobre o que exatamente estamos falando?”

Entre as respostas: Individualidade / Incapacidade de sonhar / busca pela liberdade / busca por algo que ninguém sabe bem o que é / busca do outro / busca pela pessoa perfeita / solidão.

A reflexão que fica, por parte da direção, é a seguinte: depois do impacto inicial das cenas apresentadas hoje, quais cenas da primeira montagem (2007) ainda cabem nessa nova proposta? Isso o elenco terá de responder também.


Provavelmente, a partir de agora, teremos de ler esses livros:
- Work in progress na cena contemporanea
- Performance como Linguagem de Renato Cohen
- A arte da Performance

QUINTO ENCONTRO

10 maio

Neste dia, ausência do Lucas. Os outros apresentaram suas cenas. Os que ficaram sem apresentar no encontro anterior. Antes, um aquecimento. Thaís, Mateus e William fizeram o princípio de aquecimento passado pela Silvia Lebron. Depois o Wallace continuou a dar instruções para aquecimento e concentração.

Antonio e William: fizeram uma espécie de luta. Os dois andando em círculos com os tambores a guiá-los. Até se pegarem. Terminou com um abraço.
Apontamentos: trabalhar a partitura corporal da luta, para que fique mais cênica, mais poética. Definir melhor o desfecho da cena.


Diego: amarrado e vendado dissertava sobre a internet e as pessoas que não exercitam mais o contato pessoal.
Apontamentos: o texto utilizado foi reduzido. Mais impacto para determinadas palavras, frases e expressões. Também é preciso deixar claro o “sentido” das palavras.
Sugestão de estética: utilizar a intensidade dos quadros de Caravaggio (luz / sombra) e usando a música de Joan Manel Serrat - Mediterraneogg.


Mateus e a Lee: Um drama cômico. Se é que podemos usar essa terminologia. Utilizaram uma música de Edith Piaf. Essa cena foi inspirada numa intervenção vista na Virada Cultural em São Paulo.
Apontamentos: os dois tiveram apenas um dia para ensaiar essa proposta de cena. É preciso melhorar a sincronia, o jogo cênico e a partitura física.

QUARTO ENCONTRO

26 abril

Após alguns dias de feriados sem poder utilizar o espaço, finalmente nos reunimos. E por mais incrível que pareça, todos estavam lá.

Chegamos. Aquecemos-nos. Wallace trouxe vários presentes da Bolívia. Inclusive instrumentos musicais. Após o reconhecimento dos objetos, apresentação das cenas.

Thaís: A mesma proposta do encontro anterior, agora com uma caixinha de musica. No inicio, Thaís se perdeu. Voltou e reiniciou.

Sugestão de música: Beatriz, de Chico Buarque ao violão, tocado por Mateus, é claro.



William: A mesma proposta do encontro anterior, agora com novos adereços. A cena está cada vez mais interessante. Ainda é necessário se trabalhar o texto e a forma de dizê-lo em cena.
Sensações: fome / doação / despudor / contraponto.

Sugestão de leituras complementares: foi sugerido a leitura das seguintes obras: “Geografia da Fome”, de Josué de Castro (1946), “Fome”, de Knut Hamsum (1890) e “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto (1956), Um artista da fome - Franz Kafka, além de leitura da obra de Gilberto Freyre.


Sentamos em roda. E discutimos as cenas. Faltou trabalhar os objetivos de cada uma de maneira mais clara, pois a “escritura cênica” ainda não condiz com o que cada ator defende. Esse assunto ficou para reflexão.


Sugestão de estética para todos:
DIANE ARBUS E A ESTÉTICA DAS PESSOAS COMUNS
http://diane-arbus-photography.com/index.html